quinta-feira, junho 05, 2008

Alcançando Sonhos

Eu já postei sobre isso no meu blog em Ingrish no meu Xanga então para aqueles que não são incomodados pela língua inglesa, se redirecionem a aquele local hehe.

Para os preguiçosos de plantão, vai aqui o post em português. Não é exatamente o mesmo post, mas é sobre a mesma coisa, talvez acrescente aqui mais algumas coisinhas que são mais fáceis de se expressar em português... o que acho difícil, mas tudo bem hehe.

Se tem uma coisa que aprendi aqui nos EUA, com certeza é de me sentir nas rédeas da minha própria vida. Xinguem como quiserem, mas uma coisa sempre vai ser a realidade daqui: os sonhos não tem teto e se tiver, é um teto que você impôs a si mesmo - que é o que mais acontece por aqui.

Tinha tanta coisa que eu queria ter e sentir no Brasil, mas que infelizmente nunca tive a chance de ter ou sentir. Nunca culpo meus pais, pois eles fizeram e fazem o máximo que podem - e agora é a minha vez de mostrar que eu também tenho essa garra e ambição de alcançar tudo aquilo que é esperado de mim, e tudo aquilo q nunca foi imaginado para mim.

Quando eu saí do Brasil, DVD era coisa de louco - todo mundo queria um, mas quase ninguém tinha. Aqueles que tinham (eu por exemplo, não conhecia ninguém na época que tinha um) eram provavelmente mais amados por Deus e fazíam parte de uma sociedade seleta e de elite - tal sociedade cujas portas nunca seriam abertas para pessoas como eu ou a minha família. "É coisa de família" - escutava isso sempre.

Nos primeiros meses aqui nos EUA, a situação nao foi nada diferente. Olhava para os carros passando pelas ruas, e ficava maravilhado com a quantidade de carros "de luxo" que via passando. Nunca tinha visto tanto BMW e Mercedes na minha vida - e a primeira visita ao supermercado local me deixou bobo.

Eu lembro que fui assistir "Crouching Tiger, Hidden Dragon" no cinema e ao final do filme, prometi a mim mesmo que quando o DVD deste filme fosse lançado, lá estaria eu esperando na fila para comprá-lo. Nem tocador de DVD eu tinha (bom, nem casa a gente tinha na época), mas eu tinha que comprar aquele DVD. Não estava trabalhando na época, não me lembro direito, então talvez a mamãe comprou ele a meu pedido hehe.

Então lá estava eu, de DVD na mão, mas sem um aparelho de DVD. Minha tia tinha o bendito aparelho então o DVD nao ficou parado na caixa. Eu assistia e assistia, e ficava imaginando o dia em que eu pudesse assistir ao mesmo DVD, na minha casa, usando o meu aparelho.

Uns meses depois, cometemos a loucura de começar a nossa vida aqui nos EUA e alugamos um apartamento. Algumas semanas depois, meu pai finalmente comprou uma máquina de tocar DVD que tinha custado $50. Lembro até hoje o quanto ele teve que pensar na compra: o quanto esses $50 fariam falta, mas mesmo assim ele comprou.

Sete anos depois, estava sentado em um outro cinema, assistindo "Forbidden Kingdom" com meu pai no cinema (o filme, por sinal, é muito bom!!) e quando o filme terminou, meu pai me pergunta:
"Será que esse filme vai sair pra DVD?"
"Claro que sai pai. Mas não vou comprar o DVD quando sair" - respondi
"É? Por que não?" - ele pergunta novamente.
"Porque eu vou comprar o BluRay dele"

Meu pai me olha com uma cara estranha - como se não acreditasse que teríamos tal máquina.

Depois de um tempo, fomos ao cinema novamente assistir Iron Man e eu ficava lá, pensando, como seria legal ter a versão do filme em BluRay. Estava cansado de assistir DVD a 480i de resolução quando a minha TV chegava a 1080i, um desperdício!

Acho que umas 2 semanas atrás, finalmente tive a coragem de ir ao WalMart e comprar o bendito PS3, já que ele consegue tocar estes abençoados discos.

Parece ser algo bobo, como um produto eletrônico qualquer, mas para mim, essas coisas tem um sentido muito mais profundo: é a prova de que a nossa vida está mudando, e para muito melhor. Antigamente, eu pensava que era abençoado por ter uma família unida e boa, mas que infelizmente a gente não tinha muito dinheiro, mas fazer o que, não se pode ter tudo né? Se for para escolher ou um ou outro, então estava com a melhor das duas escolhas, com certeza.

Agora, posso me sentir abençoado por ter a mesma família pela qual agradeci tanto, e ao mesmo tempo posso agradecer também pela vida que temos a chance de desfrutar. Não estou falando isso pra jogar na cara ou algo assim, quem me conhece há anos sabe a luta q sofremos e as muitas batalhas q perdemos, e as que ganhamos. Nada vem de graça ou de mão beijada, mas pelo menos, andamos o caminho certo e conseguimos alcançar aquele degrauzinho que estava faltando.

Podem falar o que quiserem dos EUA. Em muitas coisas, eu concordo plenamente, não sou bobo. Minha família é humilde, mas nunca foi tola e cega: tem coisas horríveis que acontecem por baixo das cobertas sim, neste país. Assim como em qualquer país.

Mas foi aqui que conseguimos alcançar tanta coisa boa. Foi aqui que mudei o meu futuro completamente. Meu modo de pensar, meu modo de agir, e principalmente, o quanto eu passei a acreditar em mim mesmo, e andar neste caminho de cabeça erguida, com confiança. Posso olhar nos olhos de qualquer um que seja, não importa o quanto a pessoa tenha alcançado na vida dela, e falar de igual para igual.

Posso não ter todo o sucesso do mundo, mas com certeza estou no caminho certo.

E o melhor de tudo: tudo que tenho, tudo que aprendi, consegui com esforço próprio. Não tive pais ricos que me deram tudo. Não tive sorte de sempre frequentar as melhores escolas e os melhores bairros. Mas uma sorte eu tive: foi me dado uma passagem, uma passagem para me por em comando da minha própria vida, sem limites, desde que o meu esforço também fosse sem limites.

E por causa disso estarei eternamente grato. Eu sei de onde eu vim, mas eu também sei para onde eu vou. E este lugar só pode ser cada vez mais bonito.

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